24 de abr de 2012

“No vôo da borboleta: Maturidade e Liberdade”


A foto da borboleta voando livremente no céu, retratada por André Lee, nos encanta e nos parece tão familiar, pois nos remete ao nosso próprio processo de maturidade.
Assim como ela – a borboleta - vivemos para a descoberta da liberdade nessa existência, mas, aquilo que ela faz tão espontaneamente, respeitando sua própria natureza, nós seres humanos tendemos a complicar um pouco, quando utilizamos a rica ferramenta que é a nossa mente, como fator limitador. Quando, no entanto, a sua verdadeira função, em essência, é libertadora.

Sabemos, mas nos permitimos enganar - pois como diz um amigo meu, de forma sábia e incansável: 
- “A mente, mente”. 
Talvez, esse seja um dos fatores que nos mantenha tão acuados e desconfiados, com “medo de voar”, ainda que almejemos o vôo da liberdade.
E, diante dessa ‘controvérsia’ interna, nos isolamos. Como conseqüência dessa escolha ficamos contidos, nos mantemos confinados, reféns de nós mesmos, mas ‘seguros’ em nosso próprio casulo - sem perceber que, desse modo, só nos afastamos da firmeza e confiança necessárias para a grande transformação, que nos conduzirá ao vôo de liberdade!

E, “ser livre implica solidão completa, o que significa a libertação do medo”. Para nós, seres humanos, essa libertação vem com a maturidade, quando nos tornamos indivíduos capacitados. 
“E, só somos indivíduos quando cessa completamente o temor: o temor da morte, da opinião alheia, o temor que resulta de nossos próprios desejos e ambições, o temor da frustração, o temor do não-ser”.

E todo temor, implica em uma REAÇÃO de defesa, ainda que não haja ameaça concreta, onde “o estar só é, sem dúvida, inteiramente diferente do estar em isolamento. Pois, é o próprio isolamento que cria o temor; e como medida defensiva temos um grande número de barreiras” que se disfarçam na forma de “um grande número de idéias, abrigos e garantias” que utilizamos como medida de segurança diante do desconhecido.

“Esse desejo de segurança também implica temor, em nossas relações. E, para sermos capazes de expressar a verdade que vemos, independentemente das ameaças que nos rodeiam, requer-se uma grande revolução em nosso pensar”.

    Essa é a base do nosso processo de transformação.

    “Mas a mente não pode produzir revolução, pois quando o faz, cria mais brutalidade, mais tiranias, mais horrores e a compulsão totalitária.
E se a mente é incapaz de efetuar uma transformação radical, qual é então a sua função?”


“A função da mente consiste apenas em perceber como surgem as reações, e em não procurar conquistar um determinado estado ou produzir uma modificação no centro, pela ação da vontade. O que pode fazer é apenas observar as próprias reações.
Pois só quando a mente está cônscia de suas próprias reações de temor, de ganância, de inveja, de esperança, essas reações podem desaparecer; não desaparecem, porém, quando há condenação, comparação, julgamento. Só desaparecem pela observação simples, inteiramente isenta de escolha”.


Neste momento, formam-se os verdadeiros alicerces da força e da coragem para acolher o novo momento que desponta, quando “a mente torna-se então extraordinariamente tranqüila, de todo serena, e uma vez existente essa serenidade, opera-se uma revolução no centro. Aí, somente, há a possibilidade de ser individual, porque então a mente está só, livre de toda influência. Esse estado é criação.”

    E, desse novo estado de criação podemos renascer, agora amadurecidos - tal qual a borboleta que se retira de seu casulo - ao nos re-criarmos em novos valores, onde a liberdade se faz presente quando “vemos surgir um sentimento de bem-aventuraça interior,  que não constitui promessa, nem uma recompensa de nossos valorosos esforços de muitos dias, ou muitos anos, para alcançá-la” – pois, compreendemos que tudo naturalmente acontece a cada momento presente consciente, quando nos permitimos seguir o fluxo de nossa própria natureza!

* Créditos da foto: André Lee

* Textos em itálico extraídos da Coleção Sabedoria e Pensamento: “Percepção Criadora” – de Krishnamurti – Ediouro 610.


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