23 de nov de 2011

SIMPLICIDADE como caminho

“Simplicidade no meio da Complexidade”


No encontro com a Simplicidade... o “contato consigo mesmo” acontece.

Falando em simplicidade, penso, como às vezes um simples termo como o “Simples assim” que tem como intuito nos remeter à ‘descomplicação’, pode ressoar em nós de diversas maneiras, gerando infinitas ‘formas-pensamento’ e ‘formas-sentimento’, de acordo com o nosso “estado de espírito” - a nossa consciência, naquele exato momento.

Então, uma frase tão ‘simples assim’ pode abrir espaço para infinitas complexidades na nossa vida quando nos permitimos influenciar por pensamentos e sentimentos que dela ressoam de forma negativa - da sensação de inabilidade de acesso a essa simplicidade ao soar prepotente que pode produzir - apenas para citar algumas possibilidades, diante das inúmeras combinações nas quais nossa mente e nossa emoção resolvam dar atenção.

Mas, também, por outro lado, pode ‘simplesmente’ dar acesso a uma sensação quase mágica, quando surge como forma de solução para algo que não via mais saída, abastecendo a nossa vida, inicialmente de leveza, seguida por um sentimento de gratidão, nem sempre reconhecido de imediato, a esses ‘flashes’ de inspiração que nos libertam.

E, ainda que sejam breves esses ‘lampejos’, é exatamente nesse momento que entramos em sintonia com o tão almejado “contato consigo mesmo” - com o nosso ser essencial – fonte de harmonia, sabedoria e serenidade.  “Simples assim!!”

De fato, é muito mais simples falar do que fazer, mas ainda assim, mais uma vez, dependemos do estado de espírito ou grau de consciência “naquele momento”, ou se preferirmos - dependemos de como relacionamos o olhar do observador externo ao do Observador interno, para poder transformar a conhecida frase “Fácil falar, difícil fazer” em “Não custa tentar”!

E, descobrimos mais uma vez que: “Falar é fácil. O problema é que aceitar, muitas vezes, na prática, não é tão simples assim.”*

Aceitar a comunhão do serviço do ‘observador externo’ com o do ‘Observador Interno’ – ou seja - aquele que atua em cena protagonizando um personagem com Aquele que dirige a cena, respectivamente.

A dificuldade em aceitar essa comunhão, surge da dualidade que se compõe a partir da contraposição desses dois olhares:
- o do observador externo, quando ao atuar na vida excede à ação de seu papel, muitas vezes ‘apoderando-se’ e até ‘apegando-se’ dos pensamentos e sentimentos que o seu personagem representa, como se lhes pertencesse (identificação com a forma);
- o do Observador Interno que sabe, em sua simplicidade que, o que ocorre é apenas mais um capítulo da linha de uma vida que compõe uma das inúmeras histórias vivenciadas pelos diversos personagens (sabedoria da essência).

Contudo, ambos, “observador externo” e “Observador Interno” são necessários para o bom andamento da história. Um não prospera sem a participação do outro.

E, “simplesmente” lançar um olhar conciliador não parece tão simples para que uma integração entre as duas partes ocorra promovendo o desejado estado de COMUNHÃO.
Tudo requer prática e, de preferência, com constância.

            E, para isso, diversas “técnicas’ nos são oferecidas e cada qual possui o seu mérito, ainda que não atinjam sua real intenção, no caso: promover a integração como caminho de comunhão.

Pois, a técnica por si só não é suficiente para nos conduzir ao pleno êxito.
É necessário reconhecer, utilizar-se, mas também transcender a tão necessária ‘racionalidade’ pura de uma técnica (que nos promove o entendimento intelectual) acionando a ‘chave do coração’ – o Amor – que integra o racional ao irracional, dando vida, dando alma à técnica, tornando-a não apenas mais simples e fluida como também, eficaz. Pois, essencialmente, a simplicidade faz transcender todos os obstáculos mais concretos.

Quando saímos do estado engessado da teoria e da complexidade da mente e acionamos a chave do coração, saímos da polaridade do “saber” intelectual para acessarmos o “saber intrínseco”, que se integra em boa medida, com o “sentir” do coração - que promove o contato real com a experiência - e, assim nos habilitamos a “fazer” o que seja necessário, sem ter que percorrer circuitos complicados e complexos que só retardam a conclusão de uma realização.

Ao “saber, sentir e fazer” no sentido mais genuíno da palavra integramos “mente, coração e ação” – unimos o observador externo ao Observador Interno para trabalharem em comunhão.   

Mas, a grande chave que promove essa ‘liga’ que conduz à tal simplicidade é o Coração – o sentir que nos faz “entrar em contato” não apenas com o conforto agradável da nossa essência sábia e serena (o Observador Interno), mas também com o desconforto das dores do observador externo que vivencia as cenas como ator da história da vida. 

Assim também acontece conosco, pois muitas vezes, almejamos apenas o contato com o Observador Interno que nos promove o bem-estar e a plenitude, esquecendo-nos de que para realizarmos esse trabalho em equipe, faz parte acessar o contato com as dores contidas na experiência do observador externo – o personagem. Lembrando que, entrar em contato com a dor é muito diferente de identificar-se com a dor.

E aqui, mais uma vez, cito um trecho de um artigo de Maria Lucia Lee que realiza um trabalho primoroso do “contato consigo mesmo” por intermédio das práticas corporais chinesas, numa observação que me remete quanto a ‘dualidade’ de minha origem ocidental com raízes orientais, auxiliando-me no trabalho com afinco, porém com muito amor que realizo em busca dessa comunhão:

“No Ocidente, as pessoas evitam as sensações que consideram desagradáveis. Querem apenas sentir relaxamento e conforto e, para evitar sensações, não realizam as práticas com a devida intenção, amplitude e esforço. É quando os mestres dizem que o movimento não chegou no ‘ponto’, ou seja, não chegou a obter o ‘qi’ (de qi) e, portanto, não obteve efeito terapêutico.
Quando se sente algo em sua intensidade, é possível reconhecer a vida. É quando as coisas fluem e se realizam naturalmente. Não se fica fora de si mesmo, mistificando os exercícios, atribuindo a eles resultados milagrosos. Também não há medo ou desprezo, como acontece com muitos que ainda não conseguem compreender as práticas corporais chinesas.
Eles são meios para que possamos nos reencontrar, estar em contato conosco. É no fazer e sentir que reconhecemos a vida e o Ser. A confiança não surge do fazer. Ela vem do sentir.”*

Finalizo, com Créditos de Gratidão:
À Maria Lucia Lee, que com toda a simplicidade do Ser promove ‘lampejos’ de entendimento e compreensão para o contato real com o Ser Interior, não apenas pelas práticas corporais chinesas, como também por seus ricos artigos. (link abaixo)
Aos meus familiares e amigos que promovem exercícios reais para esse contato.




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