9 de abr de 2013

LER é ... transcender para além das palavras e conceitos e se permitir ser tocado pelo chamado da alma

Foto de Eliza Carneiro

 Lendo o artigo semanal de minha amiga Carla Mago trazendo poesia e harmonia à arquitetura e design de ambientes - www.carlamago.com.br/blog - me inspirei a escrever esse artigo e me dei conta de como mudei o modo de minhas leituras nos últimos tempos, apesar da resistência em 'digerir' mudanças com naturalidade.

Ler, para além do significado das palavras e dos fatos ou conceitos relatados, torna a leitura muito mais lenta do que antes, quando a sede do saber ainda era instintiva forma de sobrevivência - a fome de conhecimento e informação - que o passar das experiências do tempo trata de curar.

Às vezes, me esqueço que o 'rio corre sozinho' e, quando me lembro, uma única palavra numa leitura toma nova dimensão, onde o saber é revelado pelo contato, pelo sentir que confere um entendimento profundo pela experimentação 'sem pressa' a que denomino 'leitura vivencial'.

O hábito da leitura vivencial é uma forma que encontrei de 'digerir' as palavras, degustando-as sem pressa, com mais profundidade, saindo do padrão da superficialidade, onde as palavras  transcendem seus significados e sua essência nos toca, nos nutre profundamente, nos convidando a sair do mundo das ideias para o mundo da vivência.

Pois, o hábito do 'fast food' da vida permeou nossas atividades diárias de tal forma que hoje somos especialistas em ler ao mesmo tempo inúmeros e-mails, textos e mensagens numa velocidade espantosa, ainda como resquício dos devoradores sobreviventes de um sistema que, aos poucos têm perdido o sentido - o Sentido de apreciar a vida e vivê-la em sua grandeza e profundidade.
Nesse nível de superficialidade refletida no 'fast food' que se estende às demais atividades da vida, vamos perdendo o tato, o contato com a vida - a nossa vida.

Tantos são os projetos, tantas são as informações, tamanha é a fome de realização que sabemos de tudo um pouco ou muito de tudo e conhecemos quase nada de nós mesmos.

Acabo de ler uma frase num livro que diz: "Troque o 'mas' por 'e'. Leia, entenda; não é nada. Faça-o algumas vezes, e então torna-se parte de si. Faça-o o tempo todo, como uma regra, e volta a ser nada. Use o que está à mão".

Então retrocedo: muitos de nós, ainda tem uma grande resistência à mudança de padrões que acabam dificultando uma vida mais fluida, fluente, onde ao longo do tempo aprendemos a construir barreiras que impedem o curso natural do rio: 'mas' não tenho tempo, 'mas' não tenho dinheiro, 'mas' não tive oportunidade na vida, 'mas' já é tarde demais, 'mas' ainda não é a hora, 'mas' preciso realizar algo significativo, 'mas' o que os outros vão pensar, 'mas'... e por aí vai.

O hábito do 'mas' ficou arraigado como erva daninha e para transcendê-lo é preciso a constância da prática do 'e' somado ao 'Orai e vigiai', pois hábitos construídos por toda uma vida ou vidas têm suas artimanhas para persistirem disfarçadas em sutilezas muito criativas.

Então, 'usar o que temos em mãos', sem esperar circunstâncias favoráveis é um feliz convite para transcendermos o 'mas' que protela e nos mantém sempre no mesmo patamar, contido na ilusória forma do 'fast'.

'E, se o fizermos algumas vezes, ele se tornará parte de nós. E, se o fizermos o tempo todo, ele voltará a ser nada'. E o rio seguirá seu curso sem pressa de chegar, pois está sempre onde deve estar.

E, então transcendemos a leitura das palavras para a leitura das imagens contidas no cotidiano despercebido e, passamos a ler com mais profundidade, a própria vida.
Onde, "Ler é transcender para além das palavras e conceitos e se permitir ser tocado pelo chamado da alma".

Feliz leitura à todos!


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