24 de abr. de 2012

“No vôo da borboleta: Maturidade e Liberdade”


A foto da borboleta voando livremente no céu, retratada por André Lee, nos encanta e nos parece tão familiar, pois nos remete ao nosso próprio processo de maturidade.
Assim como ela – a borboleta - vivemos para a descoberta da liberdade nessa existência, mas, aquilo que ela faz tão espontaneamente, respeitando sua própria natureza, nós seres humanos tendemos a complicar um pouco, quando utilizamos a rica ferramenta que é a nossa mente, como fator limitador. Quando, no entanto, a sua verdadeira função, em essência, é libertadora.

Sabemos, mas nos permitimos enganar - pois como diz um amigo meu, de forma sábia e incansável: 
- “A mente, mente”. 
Talvez, esse seja um dos fatores que nos mantenha tão acuados e desconfiados, com “medo de voar”, ainda que almejemos o vôo da liberdade.
E, diante dessa ‘controvérsia’ interna, nos isolamos. Como conseqüência dessa escolha ficamos contidos, nos mantemos confinados, reféns de nós mesmos, mas ‘seguros’ em nosso próprio casulo - sem perceber que, desse modo, só nos afastamos da firmeza e confiança necessárias para a grande transformação, que nos conduzirá ao vôo de liberdade!

E, “ser livre implica solidão completa, o que significa a libertação do medo”. Para nós, seres humanos, essa libertação vem com a maturidade, quando nos tornamos indivíduos capacitados. 
“E, só somos indivíduos quando cessa completamente o temor: o temor da morte, da opinião alheia, o temor que resulta de nossos próprios desejos e ambições, o temor da frustração, o temor do não-ser”.

E todo temor, implica em uma REAÇÃO de defesa, ainda que não haja ameaça concreta, onde “o estar só é, sem dúvida, inteiramente diferente do estar em isolamento. Pois, é o próprio isolamento que cria o temor; e como medida defensiva temos um grande número de barreiras” que se disfarçam na forma de “um grande número de idéias, abrigos e garantias” que utilizamos como medida de segurança diante do desconhecido.

“Esse desejo de segurança também implica temor, em nossas relações. E, para sermos capazes de expressar a verdade que vemos, independentemente das ameaças que nos rodeiam, requer-se uma grande revolução em nosso pensar”.

    Essa é a base do nosso processo de transformação.

    “Mas a mente não pode produzir revolução, pois quando o faz, cria mais brutalidade, mais tiranias, mais horrores e a compulsão totalitária.
E se a mente é incapaz de efetuar uma transformação radical, qual é então a sua função?”


“A função da mente consiste apenas em perceber como surgem as reações, e em não procurar conquistar um determinado estado ou produzir uma modificação no centro, pela ação da vontade. O que pode fazer é apenas observar as próprias reações.
Pois só quando a mente está cônscia de suas próprias reações de temor, de ganância, de inveja, de esperança, essas reações podem desaparecer; não desaparecem, porém, quando há condenação, comparação, julgamento. Só desaparecem pela observação simples, inteiramente isenta de escolha”.


Neste momento, formam-se os verdadeiros alicerces da força e da coragem para acolher o novo momento que desponta, quando “a mente torna-se então extraordinariamente tranqüila, de todo serena, e uma vez existente essa serenidade, opera-se uma revolução no centro. Aí, somente, há a possibilidade de ser individual, porque então a mente está só, livre de toda influência. Esse estado é criação.”

    E, desse novo estado de criação podemos renascer, agora amadurecidos - tal qual a borboleta que se retira de seu casulo - ao nos re-criarmos em novos valores, onde a liberdade se faz presente quando “vemos surgir um sentimento de bem-aventuraça interior,  que não constitui promessa, nem uma recompensa de nossos valorosos esforços de muitos dias, ou muitos anos, para alcançá-la” – pois, compreendemos que tudo naturalmente acontece a cada momento presente consciente, quando nos permitimos seguir o fluxo de nossa própria natureza!

* Créditos da foto: André Lee

* Textos em itálico extraídos da Coleção Sabedoria e Pensamento: “Percepção Criadora” – de Krishnamurti – Ediouro 610.


17 de abr. de 2012

“Possibilidades e potencialidades”


Vivemos acelerados por tantas exigências da vida prática, que muitas vezes, deixamos de desfrutar das possibilidades que a vida nos oferece para sermos felizes, realizando o que nos promove a verdadeira alegria de viver - o que acontece nos raros momentos em que nos permitimos ser autênticos com as nossas verdadeiras necessidades.

    Às vezes abrimos um tempo na agenda para essa pausa preciosa, em busca do “aquietar” que nos tire um pouco dessa aceleração externa que acaba por influenciar a nossa aceleração interna que se revela em ansiedades e “pré-ocupações”, afastando-nos, conseqüentemente, de nossa verdadeira natureza, que só é acessível no momento presente – nem passado, nem futuro.

“Aquietar-se” significa ficar tranqüilo e concentrado. O termo budista é samatha -parando, acalmando-se, concentrando-se. (3)

    Na nossa vida diária, viver de maneira concentrada faz uma grande diferença, que só a prática é capaz de validar. Onde o simples fato de “comermos ou bebermos com concentração”, nos gera inúmeros benefícios à saúde – da digestão ao equilíbrio geral.

“Samadhi é a concentração que acalma a nossa mente e que nos permite olhar profundamente para o objeto da nossa concentração. A prática do Samadhi é muito importante. Onde, devemos nos manter firmemente concentrados o dia inteiro. Ao caminharmos, mantemo-nos firmemente concentrados, ao sentarmo-nos, mantemo-nos firmemente concentrados. Ao respirarmos, mantemo-nos totalmente conscientes da nossa respiração.”(1)

    Pois, “a concentração também tem o seu alimento, a chamada conscientização.

Estar conscientizado significa estar aqui agora. Comer de maneira conscientizada, andar, sentar e abraçar com conscientização.
Esse é o modo de desenvolver concentração.
Como estamos concentrados, somos capazes de compreender. Se podemos compreender, a fé fica reforçada. Conscientização, energia, constância.
 Quando temos fé também temos uma grande quantidade de energia interior. Quando temos dentro de nós, a energia da fé, nossos passos tornam-se mais firmes, nosso olhar mais brilhante. Então estamos prontos para amar, compreender, ajudar e trabalhar.”(1)

Assim, ao realizarmos qualquer atividade - como no exemplo dessa ilustração compartilhada de Camila Lee - concentrados no que há de melhor dentro de nós, acessando nossos talentos natos, com a intenção pura que provém do coração, superamos todas as expectativas que a nossa razão até então, desconhecia.

Camila leva, em média, duas horas para fazer uma ilustração à mão livre, respeitando os detalhes de um desenho original, prática que realiza espontaneamente como atividade de lazer e que a coloca intensamente em contato com suas potencialidades.
Porém, esta ilustração específica foi feita num momento especial, num tempo de quinze minutos, para sua própria surpresa, na intenção de oferecer à sua bisavó - um carinho (um abraço feliz, como retrata o desenho) mesmo à distância - diante da imediaticidade das circunstâncias, na impossibilidade de visitá-la pessoalmente no hospital.

E toda intenção contida nos traços desse desenho, foram assimilados pelo olhar profundo que a bisavó lançou à Camila, mesmo sem a presença física de sua visita, recebendo esse abraço carinhoso!

Outro termo budista que ilustra essa situação é vipasyana - insight, ou examinando em profundidade.
Onde, “examinar em profundidade” significa observar algo ou alguém com tanta concentração que a distinção entre observador e observado desaparece. O resultado é o insight da verdadeira natureza do objeto”.
Algo semelhante “quando ao examinarmos o coração de uma flor, vemos nele as nuvens, a luz do sol, os minerais, o tempo, a terra e todas as outras coisas que existem no universo. Sem as nuvens não poderia haver chuva, e não existiria nenhuma flor. Sem o tempo a flor não poderia desabrochar.(3) 
E, foi exatamente com esse olhar, profundo e cheio de brilho e sabedoria que sua bisavó foi tocada pela intenção do desenho, ao recebê-lo no hospital.

Então, infinitas possibilidades se abrem, quando permitimos o fluir da nossa criança interior - que não vê barreiras para novas fronteiras, para o novo, o desconhecido - seguindo a vida com leveza, espontaneidade e alegria, que se estende em beneficio tanto ao que oferece quanto ao que recebe.

Tenho aprendido muito com essa geração mais jovem (mais livre) e, também me surpreendido com a geração mais antiga (tida como mais rigorosa), quando, ambas me elevam ao olhar mais atento, para além de meus próprios conceitos, no intuito de me conduzir ao entendimento através desse convívio, mostrando-me que: quando “relaxados e à vontade, somos capazes de reconhecer possibilidades à medida que elas se apresentam e, que por estarmos em sintonia com a nossa própria natureza, compreendemos que a existência está nos proporcionando exatamente aquilo de que precisamos” (2)
Então, compreendemos que a fé em si mesmo surge “como resultado da experiência”, onde é possível surpreender-se com a própria capacidade, quando nos abrimos às infinitas possibilidades que se abrem aos nossos olhos, permitindo a nossa própria cura, que se estende em intenção oculta ao redor, mas profundamente poderosa, quando validada pela própria experiência de vida e não pelo simples conceito de superação.

Onde, “ter fé significa ter confiança na nossa habilidade e na habilidade dos outros de despertar para a mais profunda capacidade de amor e entendimento.” (3)

Assim, diante dessas possibilidades, ficamos com a seguinte ‘dica’ para a reflexão dessa semana:

“Não se contente facilmente. Os que se contentam com pouco permanecem pequenos: pequenas são suas alegrias, pequenos são os seus êxtases, pequenos são os seus silêncios, pequeno o seu ser.
Mas não há necessidade disso!
Essa pequenez é uma imposição que você mesmo faz à sua liberdade, às suas possibilidades ilimitadas, ao seu potencial sem limites” (2)

“A fé correta é alimentada pela verdadeira compreensão, não pelo intelecto, mas pela experiência”. (1)

* Créditos da ilustração: Camila Lee

 (1) Jesus e Buda – Irmãos (Thich Nhat Hanh)
(2) Possibilidades – Tarô Zen de Osho
(3) Vivendo Buda, vivendo Cristo (Thich Nhat Hanh)


10 de abr. de 2012

“Retorno à Inocência, pelos olhos da compaixão”

“A inocência que advém de uma profunda experiência de vida é semelhante à de uma criança, sem ser infantil.” (1)

À medida que crescemos, nossos inocentes olhos infantis vão assistindo aos sofrimentos e dores do mundo e, quando menos esperamos, passamos a enxergar o mundo como um “lugar perigoso e ameaçador”.

E nessa experiência de vida, o nosso olhar vai se aliando ao nosso sentir, dando forma às nossas atitudes que vão se movendo de acordo com a percepção que nós mesmos criamos.

Então, crescemos. Algumas vezes, nos sentindo amedrontados, outras vezes fortalecidos; amados ou rejeitados; ofendidos ou reconhecidos; inseridos ou excluídos; pró-ativos ou reativos; acelerados ou paralisados; ora revoltados e indignados, outrora equilibrados e mais sensatos – mas, aprendendo com as dualidades a encontrar o caminho do meio - que integra e conduz a uma nova percepção: de unidade.

Mas, nessa caminhada em busca dessa compreensão que unifica, passamos por momentos de solidão quando nos confinamos em nosso próprio sofrimento. 

E, este é o momento mágico - ainda que seja doloroso - quando se estabelece a necessidade de aprendizado do princípio fundamental do diálogo: o diálogo consigo mesmo.
Pois, de fato, “ele precisa começar, acima de tudo, dentro de nós mesmos”, uma vez que o sofrimento está alocado dentro de nós, nos distanciando do entendimento e do diálogo com o mundo.

 “Se estivermos em guerra com nossos pais, nossa família, nossa sociedade... provavelmente uma guerra também estará acontecendo dentro de nós, de modo que o trabalho mais fundamental em prol da paz é retornarmos a nós mesmos e criarmos harmonia entre os elementos que existem dentro de nós – nossos sentimentos, percepções, conceitos e estados mentais.
Precisamos reconhecer e aceitar os elementos conflitantes existentes dentro de nós.
E, só quando estivermos em paz com nós mesmos, o verdadeiro diálogo com os outros e com o mundo será possível.”(2)

Então, movidos pelas ocorrências da vida, ao proporcionarmos a oportunidade desse diálogo consigo mesmo, despertamos - cada um a seu próprio tempo – nos permitindo mover para uma nova realidade!
E, ao abrimos os olhos novamente, como quem acorda de uma longa noite de sono, percebemos que tudo se faz claridade! Claridade que muitas vezes, chega a incomodar o nosso olhar, até então, tão limitado para nós mesmos! 

Então, com novos olhos, passamos a ver “além de nós mesmos” e entendemos que “cada um tem o seu próprio sofrimento. Nós não somos ‘a única pessoa que sofre’. Nossas irmãs e irmãos também sofrem. E, no momento em que formos capazes de ver o sofrimento deles, iremos parar de censurá-los e também paramos com o nosso próprio sofrimento” (Jesus e Buda – irmãos – Thich Nhat Hanh)

E, tudo isso só é possível através do contato profundo com a nossa própria experiência na vida, que nos vai capacitando a reconhecer e olhar com olhos maduros, a nossa própria dor e sofrimento, com simples aceitação – sem apegos, mas com a sensibilidade e a inocência da criança interior, que um dia chegou ao mundo com toda sua pureza para irradiar e manifestar a paz e a alegria como fruto do seu aprendizado na materialidade da forma.

Então, ganhamos novos olhos ao ativarmos a nossa “visão além do alcance da materialidade”, onde reconhecemos que a verdadeira função dos olhos não é apenas a de ver, mas também a de entender. Esses novos olhos são os ‘olhos da compaixão’ - os olhos que vêem e entendem.”

“Se existe essa compreensão, a compaixão chegará por uma via bastante natural, onde ‘os olhos da compaixão’ são olhos provindos de uma atenção profunda” que percebe a natureza da interexistência. 
E, “quando percebemos a natureza da interexistência, as barreiras entre nós e os outros se dissolvem, e a paz, o amor e o entendimento tornam-se possíveis. Onde quer que exista o entendimento, nasce a compaixão.”
  Podemos ter “diferentes raízes, tradições e maneiras de perceber as coisas”, mas ainda assim “compartilharmos as qualidades comuns do amor, do entendimento e da aceitação”.(2)

 E, é nesse momento que retornamos “à inocência da nossa criança interior”, porém, agora “sem ser infantil”, uma vez que nos apropriamos do viver verdadeiro, através da experiência concreta com a vida, onde estabelecemos um diálogo autêntico conosco, com o outro e com o mundo.

“Temos que acreditar que, ao nos envolvermos num diálogo com a outra pessoa, temos a possibilidade de realizar uma mudança dentro de nós mesmos, que podemos nos tornar mais profundos”, onde “o diálogo não é uma forma de assimilação no sentido de que um lado se expanda e incorpora o outro no seu ‘eu’”. Pois, “o diálogo precisa ser praticado com base no ‘não eu’. Temos que permitir que o que é bom, belo e significativo na tradição do outro nos transforme.” (2)

"Compaixão não é um relacionamento entre o curador e o ferido.
 É uma relação entre iguais. Somente quando conhecemos bem nossa própria escuridão
 podemos estar presentes na escuridão dos outros.
A compaixão torna-se real quando reconhecemos nossa humanidade comum."
Pema Chödrön

* Créditos da foto: Lee Ping
(1) Inocência - O Tarô Zen de Osho
(2) Vivendo Buda, Vivendo Cristo - Thich Nhat Hanh

3 de abr. de 2012

“Renascimento - Tornar-se vivo, verdadeiramente vivo”

“Tornar-se vivo, verdadeiramente vivo é Ser a expressão do Amor e da Sabedoria na prática cotidiana – é entrar em contato com o Divino não como um conceito, e sim como uma realidade viva" 

Inspirados pela Páscoa e a mensagem de “Vida Nova e Renovação” que ela contém, o artigo dessa semana nos convida a refletir sobre o sentido do nosso viver e a postura que adotamos frente à nossa própria vida - nossa maior oportunidade de renascimento nos valores da unidade e da paz!

Nossas ações, pautadas nesses valores intrínsecos, se manifestam em novas habilidades e atitudes quando somos capazes de utilizar a energia da vida como co-criadores do Criador.

    Assim, podemos dizer que “existem dois tipos de criadores no mundo: um deles trabalha com objetos – um poeta, um pintor, trabalham com objetos e criam coisas; o outro tipo de criador, o místico, cria a si mesmo. Ele não trabalha com objetos, trabalha com o subjetivo; trabalha em si mesmo, no seu próprio ser. Este é o verdadeiro criador, o verdadeiro poeta, porque transforma a si mesmo numa obra-prima.”(1)

Quando agentes de nosso próprio renascimento nesse novo padrão, vamos contribuindo, também, para o renascimento de um novo planeta por meio do Ser Essencial que manifestamos por intermédio da vida na Terra.
Onde, o “tornar-se vivo, verdadeiramente vivo” é Ser a expressão do Amor e da Sabedoria na prática cotidiana, ou seja, “entrar em contato com Divino – Deus em Ação em nós – não como um conceito, e sim como uma realidade viva”.

O “renascimento é uma mudança repentina de percepção, que de temporal passa a ser eterna”, assim “quem percebe esse fato em toda sua profundidade vê a eternidade em cada flor, em cada estrela, em cada árvore”.(2)

Considerando esse princípio de Unidade a partir dessa nova concepção, conciliando o Ocidente e o Oriente, neste mês de abril, comemora-se a Páscoa – “o grande Festival Cristão do Ocidente, na expressão do Amor Divino, com o festival do Cristo Vivente Ressuscitado”. Em maio, comemora-se Wesak – “o grande Festival do Oriente, na expressão da Sabedoria Divina, com o festival de Buda”. (5)
Contudo, “tanto na prática cristã quanto na budista, se você não for capaz de alcançar com suficiente profundidade o mundo fenomenal, será muito difícil, ou talvez impossível, alcançar o mundo numenal – a origem de ser.”(3) 

    Assim, no exercício do renascer para os nossos valores originais, “nossa fé precisa estar viva. Ela não pode ser apenas um conjunto de crenças e noções rígidas. Nossa fé precisa evoluir diariamente e nos trazer alegria, paz, liberdade e amor. Ter fé envolve praticar, viver nossa vida cotidiana com a mente desperta. Algumas pessoas acham que a prece ou a meditação envolvem apenas a mente ou o coração. Mas também precisamos rezar com o corpo, nossas ações no mundo. E essas ações precisam ser reguladas pelas do Buda vivo ou do Cristo vivo. Se vivermos como eles viveram, nosso entendimento será profundo e nossas ações puras, e faremos nossa parte para ajudar a criar um mundo mais pacífico para os nossos filhos e para todos os filhos de Deus”. (4)

Nessa seqüência inteligente, no mês de junho comemora-se o Festival da Boa Vontade (Asala) onde “a humanidade em Unidade busca adaptar-se à Vontade Divina na expressão das corretas relações humanas”. (5)

E, é assim, que a partir do renascimento de cada um de nós - do Oriente ao Ocidente - renascerá um novo mundo de paz, de amor e de unidade!

Feliz Páscoa! Feliz Wesak! Feliz Asala!

* Foto da Tela em nanquim de Wânia Rodrigues

 (1) O Criador – “O Tarô Zen de Osho”
(2) Renascimento – “Cura Vibracional Prática”
(3) “Jesus e Buda, irmãos” – Thich Nhat Hanh
(4) “Vivendo Buda, Vivendo Cristo” – Thich Nhat Hanh
(5) http://www.encontroespiritual.org/


27 de mar. de 2012

“Deixando ir... permitindo à vida fluir”

 “Tenha fé na sua natureza.
Não deixe seus pensamentos ‘galoparem por aí’ à procura de algo que nunca perderam, e que está ‘exatamente diante de vocês neste exato instante’” *


A natureza se expressa na multiplicidade da forma, regida por ciclos em ritmos cadenciados, seguindo o fluxo sem resistência, num movimento natural e espontâneo a que chamamos sábia inteligência, pois respeita, acessa e se nutre livremente da energia primordial: a energia-Luz do Sol!

    Nós também fazemos parte desse Sistema Solar e somos influenciados por todos os ciclos que regem essa natureza inteligente.
    Assim, quando reconhecemos e respeitamos essa mesma natureza intrínseca em nós, passamos a atuar de acordo com essa Ordem natural da vida e, desse modo, simplesmente a vida acontece, com o acolhimento de todo aprendizado que ela contém.

    Contudo, diante desse “experienciar a vida”, muitas vezes, movidos por nossos desejos e medos humanos, vamos construindo “auto-estradas”, asfaltando-as com pedriscos e pedregulhos que “encobrem” esse solo natural, enrijecendo o caminho, como armaduras de proteção.
    E, assim, também, nossas potencialidades e talentos originais acabam “encobertos”, adormecidos... E, então, para colocá-los a serviço e atividade, precisamos romper as próprias barreiras auto-criadas, pois ao sairmos do “caminho suave da simplicidade”, a complexidade toma forma quando nos afastamos da nossa verdadeira natureza - nossa fonte primordial de energia.

    Chega um tempo, porém, em que é preciso retornar às origens naturais, independentemente do caminho que tenhamos tomado nas ‘estradas da vida’; e isso requer a força e a coragem para rompermos o solo enrijecido.

Então precisamos “deixar ir” todos os aspectos e situações que um dia se configuraram como dificuldades – nos servindo de impulso transformador - transmutando-as em potencialidades, “permitindo o fluir” dos talentos de nossa verdadeira natureza. Para, assim, realizarmos a missão que viemos cumprir como almas, na materialidade da forma.

    Pois, “as provações do passado se tornam passagens que nos ligam à humanidade e à natureza. Lembranças do passado, agora, são resgatadas por meio da poesia quando contemplamos o sentido da vida e encontramos maneiras de introduzir na cultura humana tecnologias com base na emissão de luz” em forma de amor. (Cura Vibracional prática)

    O artigo de hoje é inspirado e dedicado à sensibilidade de Elice Carneiro, revelada na foto deste ‘post’ e no texto que se segue, sinalizando esse movimento de retorno às nossas origens naturais, realizado de forma tão espontânea pela sábia natureza elemental, como um exemplo a ser seguido por nossa humanidade:

“Fiz esse registro em Caldas. A imagem é bem simples; achei a cena muito profunda e parei para registrar. O simbolismo de força e coragem dessa plantinha é muito impressionante! Ela nasceu e floresceu (lindamente) em uma frestinha entre o asfalto e a calçada! Remete a reflexão que mesmo nas situações mais adversas, se tivermos força e coragem para nos lançarmos à luz, conseguiremos prosperar e florescer!

Quantas vezes nos perdemos em nossos próprios medos e incertezas; nos deixamos convencer de que não existe solução para as situações, e assim nos prendemos às nossas “zonas de conforto” abandonando o contato com a nossa própria luz... e, dessa forma ficamos estagnados...

Olhar o exemplo dessa plantinha é fantástico, pois ela teve força e coragem de superar todas as incertezas, saiu da zona de conforto, guiada pela luz; e então prosperou e floresceu em meio ao um terreno totalmente inóspito! A natureza é sempre sábia e fantástica...
(Elice Carneiro)


*  “Deixe a vida fluir” - Ramesh S. Balsekar - Theba book

20 de mar. de 2012

“Integração e Cura”

“TODO”
“Todos nós somos estrelas especiais e brilhamos em conjunto para a manutenção da alegria e harmonia próprias e ao nosso redor”.
(Elice Carneiro)


Quando o foco do olhar não se volta mais às limitações da forma, geradas pela estreiteza da mente e, a voz do coração torna-se audível a partir do silêncio que brota dentro de si...
... o olhar transcendente é ativado pelo poder do perdão - pois a mente agora está desperta e o coração livre e, então, podemos descobrir a verdade que reside por trás de todas as formas e situações.

E, este olhar torna tudo mais claro e nítido, como um grande farol dentro de nós que ilumina tudo em nós e ao nosso redor, incluindo todas as polaridades: revelando muitas coisas, que um dia nos recusamos a olhar e, ao mesmo tempo, delineando formas tão coloridas e belas, que um dia sequer imaginávamos vislumbrar!

E, quando tomamos a coragem de viver sob a luz desse novo olhar, onde conciliamos em unidade, duas idéias aparentemente opostas, um novo paradigma passa a reger a nossa vida, pois em aceitação à ordem natural de tudo o que É, abrimos mão de “encontrar soluções” para sermos apenas “uma testemunha amorosa das polaridades” que tudo organiza, ilumina e faz compreender.

Assim, a partir da ampliação dessa nova lente que concilia mente e coração, transformamos “a ignorância inconsciente na consciência de que todo universo está vivo e consciente” e de que todos os seres estão conectados como células de um grande corpo, nessa infinita rede multidimensional.  

E, quando nos reconhecemos como células integrantes de um grande corpo, a mágica da consciência desperta faz revelar uma nova forma de viver, pois “ficamos conscientes das outras pessoas por intermédio de nós mesmos”, uma vez que “transformamos a inconsciência na consciência completa de todos os aspectos do nosso próprio ser”.

É a bênção da reconciliação que se reflete do micro ao macro: do “eu comigo mesmo” para o “eu com o outro” e todas as situações que nos envolvem. E, a partir daí, amplia-se à visão de reconciliação entre matéria e espírito, céu e terra – desconstruindo-se a visão da separatividade, que um dia nos levou ao sentimento de dor, sofrimento, como uma chaga que originou tantas feridas, para agora construir uma nova visão de inclusão, totalidade, Unidade e cura. 

    Então, caminhamos para nos tornar seres mais plenos e inteiros, onde podemos:

... ser autênticos com os princípios e sentimentos mais internos, sem nos corromper às próprias expectativas ou às expectativas externas
... nos apropriar do discernimento intrínseco realizando sábias escolhas pautadas no equilíbrio que provém da voz da alma
... nos libertar do rigor que entristece, enrijece, imobiliza e impede o movimento do andar para então, poder caminhar livremente com os próprios pés e voar com as próprias asas,  resgatando “o próprio poder inerente de aprender e de libertar-se das dificuldades”
... promover a própria cura no acolhimento afetuoso diante das imperfeições da matéria para revelar todo potencial latente, para, enfim,
... manifestar a alegria de viver, sem medo de ser feliz!

“Quando já não estamos mais nos escondendo de nós mesmos, nem dos outros, numa atitude de abertura e aceitação poderemos ser curados, e ajudar outros a serem também saudáveis e inteiros”
(O Tarô Zen de Osho)


* Gratidão a Elice Carneiro pelo compartilhar de sua ilustração inspiradora.

13 de mar. de 2012

Plenitude no Vazio

“Existe um mundo concreto, percebido pelos sentidos, com todas as suas imperfeições; mas além dele existe o outro mundo que contém formas imutáveis e perfeitas.”

“Plenitude no Vazio” - apesar da aparência paradoxal, o sentido além das palavras nos convida à percepção da Unidade que reside em tudo o que É.

Como seres humanos portadores da dualidade, somos ao mesmo tempo - forma e essência – uma parte sempre em busca de um pertencimento que nos integre à totalidade do Ser Essencial.

Porém, enquanto focados apenas na forma da materialidade, podemos nos sentir, sob inúmeras circunstâncias, seres separados ou independentes do Todo sistêmico.
Onde, a palavra “vazio” - sob este ponto de vista da forma - nos promove apenas sensações que os cinco sentidos permitem, contornando ou limitando a forma concreta, sempre mutável em seu ciclo de vida e morte.

Contudo, sob a ótica da essência, esses limites vão sendo ampliados, a partir do momento em que reconhecemos, contidos neste mesmo “vazio”, o “essencial” como tudo aquilo que é eterno e imutável, na recordação “das formas perfeitas com as quais a nossa alma estava em contato antes de se juntar a um corpo”.

E, assim, conforme transitamos e integramos os diversos níveis de nossa consciência, o “vazio” percebido pela consciência focada na forma que nos fazia prisioneiros na limitação dos sentidos da materialidade, vai se transformando em “plenitude”, conforme a consciência se concentra na essência que permeia todas as coisas, ampliando a nossa sensibilidade em direção ao incognoscível.

Então, nos sentimos gratos, quando a sensação de vazio vai sendo preenchida pelas qualidades imutáveis e perfeitas que trazemos como reminiscências de nossa origem primordial, que retornam às formas verdadeiras em nossas relações na Terra como: gratidão, afetuosidade, amor, alegria, firmeza, coragem, reverência – ‘formas’ reluzentes e coloridas, como as cores do arco-íris que representa a essência divina que habita cada ser, nessa foto de Eliza Carneiro, gentilmente cedida para esse compartilhar.

Minha avó, em nossas conversas, sempre se pergunta, e, também me questiona, sobre o que ela estaria deixando para os seus descendentes no cumprimento de seu propósito.

 E, digo a ela:

- A melhor herança você já distribui em vida, no exemplo de como você escolhe viver: com delicadeza e elegância firmes, na postura de quem não tem medo de enfrentar a vida, pois trouxe em si o espírito de sumimasen - como forma de respeito e reverência a toda vida; gaman - como a força da fé na Vida que lhe foi concedida; arigato – como sentimento de gratidão que tudo transforma e, por fim, kokoro – que promove a redenção que brota da compaixão que a liberta do aprisionamento da forma, para simplesmente exercer o Ser essencial, aqui na Terra. E, é assim que a vejo – um Ser Essencial que transcende a forma, a cada despertar que a sua história proporciona.

Afinal, o que fica, apesar do “vazio” que um dia ocupamos enquanto forma, é o que permeia as relações que estabelecemos com o todo e que as tornam “plenas” de sentido para o propósito a que vieram realizar.

Sumimasen - desculpe, sinto muito, com licença
Gaman - aguentar, suportar
Kokoro - coração, mente, essência
Arigato - obrigado, gratidão