7 de set. de 2011

Parte II - Mudanças... permitindo à VIDA fluir para florescer

"Dê boas vindas às abelhas, convide os pássaros a beber do seu néctar.
 Espalhe em volta a sua alegria, para que todos compartilhem dela."
Parte II – AMOR e PUREZA

            Neste mês de setembro, em homenagem ao ciclo vindouro da Primavera, estamos contando, em fragmentos semanais, a história de um ser elemental, que desejou manifestar uma flor amarela.
Como vimos, no capitulo anterior, tendo sido aceito no Templo da Natureza onde transcorreu todo seu aprendizado inicial, descobriu que para a conclusão de seu objetivo era necessário galgar sete degraus.
Presenciamos seu aprendizado nos dois primeiros degraus de sua empreitada: VONTADE e PERCEPÇÃO.

            Assim também acontece conosco em nossas realizações bem-sucedidas quando respeitamos e cumprimos a lei universal.
            Trazer as ricas mensagens que as histórias contém para a nossa própria realidade é um exercício salutar que nos eleva em consciência aos aprendizados de nossa própria vida.
           
            E, assim, a historia continua...

            “Nós continuávamos a absorver os ensinamentos e tentávamos pô-los em prática novamente. Um dia surgiu em minhas mãos uma pequena flor amarela, e eu fiquei sumamente feliz por isso.
Desta vez, eu tinha também o número certo de pétalas, a cor certa e o perfume certo para a flor. Justamente quando eu estava a ponto de mostrar a flor ao Deva, passou pela janela um Arcanjo e a minha atenção dispersou-se, devido a sua Luz irradiante. Quando quis olhar novamente a flor na minha mão, ela havia desaparecido. Vede, foi falta de concentração!

            Aqueles professores – Devas não dizem absolutamente nada, eles dão suas instruções através de irradiações. O nosso professor – Deva sugeria-nos o pensamento de que, em cada primavera, poderíamos proporcionar beleza e perfeição adicionais para benção da evolução das almas viventes, em qualquer amorável planeta, sob a direção de um Elohim, se estivéssemos em condições de conscientemente fazer surgir aquela flor. Quando pensei sobre isso, nasceu em mim o amor ao meu esforço. Eu desejava tanto criar a pequena flor com toda a perfeição. Eu queria, também, conservá-la por tempo suficiente, para que através dela realmente pudesse abençoar alguma partícula de vida provida de suficiente aroma e beleza. Esse foi o terceiro aspecto da divindade a saber, o Amor. Então esqueci-me de mim mesmo e nada mais podia distrair-me. Tinha somente um desejo: Criar a Flor.

            O que aconteceu então? Recebi um encargo! A esse respeito gostaria de dizer: Os Devas não dão nenhuma tarefa, por menor que seja, antes de saberem se possuímos persistência suficiente para concluir nossa tarefa, mesmo que se trate apenas de produzir uma flor de maçã. Nesta nova tarefa – tomaram parte aproximadamente 700 alunos – fomos encarregados de enfeitar uma grande árvore. Aquela flor amarela, que eu tive de criar, não cresce em vossa terra; tão pouco tendes tal árvore. Mas talvez algum dia, também ela possa crescer entre vós.

            Agora surgiu novamente outra lição que não aprendi imediatamente. Nosso professor chamou-nos a atenção para o fato de que veríamos diversos tipos de árvores naquele planeta, se fôssemos lá com o Grande Deva da árvore.

            Ele nos advertiu e incumbiu-nos de dar atenção detalhada à nossa flor individual, para que não ficasse parecida com a flor de uma outra árvore ou arbusto. Eu, porém esqueci sua advertência à contemplação dessas flores, eu não tinha uma determinada flor diante de meus olhos, e o resultado disso foi que não consegui nenhuma manifestação.

            Dessa forma, tive que aprender a minha quarta lição. Tive de manter Pureza do modelo divino, que me foi dado no início. Quando, finalmente, regressamos ao nosso local de ensino no Templo da Natureza, nenhum dos que havia cometido erros nesta tarefa estava especialmente orgulhoso de seu desempenho. Os Devas, que distribuem as tarefas, preparam, devido a esses casos, sempre mais seres elementais do que realmente seria necessário. Por esta razão, a tarefa em que fracassamos pôde ser levada ao término por outros seres elementais. Posso garantir-vos que, para o experimento seguinte não me apresentei espontaneamente com tanta rapidez. No entanto em mim mesmo eu estive firmemente decidido a sustentar o modelo da flor amarela, até que houvesse produzido em toda a sua perfeição.” (continua...)

            O nosso dia-a-dia é rico em ensinamentos quando nos dispomos a ouvir a voz interior. Contudo, quanto absorvemos desses ensinamentos e, mais que isso, os colocamos em prática? E, ainda que os coloquemos em prática, quanto ainda nos dispersamos com distrações diversas que só nos distanciam do real objetivo?

            E diante dos fracassos, temos tido “persistência suficiente para concluir nossa tarefa, mesmo que se trate apenas de produzir uma flor de maçã”?

Conseguimos lançar um olhar amoroso aos nossos esforços, validando nossas experiências, que nos remetem ao verdadeiro amor compassivo, que gerado pelo ato de reconhecer-se com suas faltas e virtudes, se esquece de si mesmo para servir ao próximo, aperfeiçoando-se, pois compreende a unidade que reside em toda existência?

Diante de tantas “realidades” que a vida externa apresenta, ainda somos capazes de manter a pureza em nossos olhares?

Com essas reflexões seguimos em frente, somando mais “dois degraus” a refletir na semana que se segue:
AMOR e PUREZA.

Boa escalada a todos nós e até o próximo capítulo de nossa história!

1 de set. de 2011

Mudanças... permitindo à VIDA fluir para florescer (Parte I)

“ Você poderia sentir-se nesse exato momento como um jardim de flores, regado por bênçãos vindas de toda parte.
 Dê boas vindas às abelhas, convide os pássaros a beber do seu néctar.
 Espalhe em volta a sua alegria, para que todos compartilhem dela”.
(Florescimento)

Neste mês de setembro, celebrando a Primavera, época marcada pelo FLORESCER na natureza, que também se reflete em nosso ciclo de vida quando nos sintonizamos às leis naturais que nos são inerentes, aprenderemos com a historia de um elemental* - em sua primeira manifestação como uma flor amarela – contando-nos sobre os sete degraus para sua bem-sucedida empreitada, que serão contadas em quatro capítulos no transcorrer deste período mensal.

Assim como “ele” também podemos florescer para uma nova vida, se assim determinarmos, com a vantagem da escolha do “livre-arbítrio” que nos confere a graça da verdadeira liberdade, quando para isso nos dedicamos.

Contudo, em sua evolução, veremos que ele partiu de um pequeno ser elemental para o Reino dos Devas e, então se tornar um Elohim - o Elohim da Paz.

Assim como “ele”, cada qual em seu reino de evolução, nós também temos condições de evoluir aos patamares mais elevados, quando nos entregamos ao ritmo das mudanças, permitindo à VIDA fluir em sua sabedoria, ao encontro com a nossa paz interior.

Apreciem essa historia que em sua simplicidade nos revela o potencial abundante que reside na essência de toda Criação.

Assim começa a sua aventura...

“Cada um de nós começou seu caminho como um pequeno ser elemental e pertencia, em diversas épocas, a diversos Sistemas e Vias Lácteas. Eu me encontrei entre aqueles seres elementais que seguiam a exata Ordem da Criação. No primeiro período após a criação é dada completa liberdade aos seres, pois devem alegrar-se consigo mesmo. Alguns povos imaginam o céu como um lugar de ‘eterna alegria’, ‘eterno sossego’ e um genérico ‘faça o que vos agradar’. Pessoas assim regridem. Isso não é olhar para a frente! Gostaria de advertir-vos, antecipadamente, não é assim que se apresenta o futuro!

Há longo, longo tempo, eu era um daqueles minúsculos seres elementais, e andava para cá e para lá em meu universo. Sempre que eu desejava, dependurava-me em um raio de Luz, que um ser qualquer, que se mal conhecia, irradiava. Às vezes eu me lançava ao dorso de um grande raio que tinha a determinação de tornar-se uma parte de uma estrela ou outra amorável Criação Divina. Eu nada sabia de qualquer obrigação, nem conhecia um sentimento de responsabilidade.

Essa mesma liberdade é dada a todas as criações de Deus, no inicio – também aos anjos. Após a sua criação, eles movem-se na glória e Luz de seu criador. Talvez se tornem parte das Virtudes Divinas de fé, esperança e bondade, ou uma outra Virtude Divina, bem de acordo com seu desejo. Estes anjos vivem nos Templos de sua própria escolha, eles recebem a irradiação e permanecem lá!

Repentinamente, um dia apossou-se de mim um sentimento, do qual nasceu o desejo de ser uma consciente parcela da Criação. Quando esse desejo desperta num ser, então, isso significa o nascimento do Primeiro Raio nele, o nascimento do ‘eu quero fazer algo’. Exatamente assim aconteceu em mim.

Então, procurei alguém que pudesse dizer-me o que deveria fazer. Encontrei um ser que me conduziu a um Templo da natureza, onde eu pude aprender como fazer surgir certas formas, por exemplo, uma flor. Junto com outros seres que tinham as mesmas intenções que eu, tive de aprender a sustentar a forma pensamento que nos foi mostrada no altar pelo Deva em exercício, nosso instrutor.     

Minha primeira tarefa, após ter sido agregado como aluno a esse Templo da Natureza, consistia em fazer surgir uma flor amarela de cinco pétalas. Essa primeira tarefa jamais esquecerei. Nessa classe éramos mais ou menos 200 alunos, todos tão irresponsáveis como eu. No lado de fora do Templo ouvíamos doce música; o ar bem fresco e agradável. Maravilhosos seres de luz pairavam na atmosfera. Nós os víamos pela janela, e posso dizer-vos que a manutenção do modelo-pensamento para a flor era muito monótona. O Deva ficava no altar, revelava de si o modelo para a flor que deveríamos fazer surgir. Ele tentava captar os nossos pensamentos, concentrando-os sobre a flor. Logo percebi que apenas ‘a vontade de criar algo’ não era suficiente.

Também os outros seis degraus da criação eram necessários, para terminar a atividade.

Repentinamente, o meu espírito adquiriu uma certa capacidade de percepção, e eu pensei: ‘Sim, isto realmente é uma parte da Criação’. De repente eu também compreendi que o Deva desejava que eu fizesse uma tentativa. Até aquele momento, eu tinha sentido somente alegria com perfume, com as cores e simetria da forma, mas nunca tinha tido a sensação de desejar algo além disso. Entretanto, quando a sensação do poder de percepção tomou conta de mim tive o desejo de fazer tentativas conscientes. A primeira forma que tentei criar era certamente desfigurada – surgiu alguma coisa quadrada! Ela não tinha pétalas suficientes, nem o aroma correto, e tão logo eu desviava minha atenção da flor, a forma desaparecia repentinamente! Tão pouco os outros alunos estavam muito concentrados em suas tarefas. Mas, aqueles que realmente levavam isso a sério, podiam finalmente avançar até a frente do recinto, nas proximidades do altar.” (... continua) 

Alguns detalhes nesse pequeno trecho da historia nos remete a vários aspectos para reflexões pessoais, quanto à atenção que temos dado à nossa evolução pessoal como seres espirituais na Terra.

Seguem alguns deles:
- o “alegrar-se consigo mesmo” como ponto de partida para a reflexão sobre o nosso momento atual de vida;
- o “genérico” engano do “faça o que vos agradar”, prática tão comum quanto inconsciente, que nos conduz à regressão ao invés da evolução;
- o “desenvolvimento do sentimento da responsabilidade” pessoal e intransferível, como fundamento de nossas realizações, não apenas materiais como também espirituais, quando entendemos que a matéria deve servir à manifestação do espírito;
- o “desejo de ser uma consciente parcela da Criação”, quanto à nossa atual compreensão do que viemos realizar nesta vida, neste planeta;
- a “procura por alguém” traduzida como a busca de novos conhecimentos para além do que o trivial e convencional conhecimento possam nos ter oferecido até o presente momento;
- a receptividade à “capacidade a novas percepções”, como fonte propulsora para novas realidades, mais simples, porém mais plenas;
- desenvolver o “desejo de tentativas conscientes”, quando desenvolvemos a iniciativa de tomar a vida pelas próprias mãos;
- capacidade de “estar concentrado em suas tarefas”, no entendimento de estarmos sendo movidos pelo desejo da alma e não pelas exigências externas, o que nos confere a assertividade nas realizações.

Dentre tantas outras reflexões que podemos extrair nesse pequeno trecho de uma singela historia.

 Boa reflexão e até a próxima semana!

* Elementais – elementos básicos na manifestação material que dão sustentação a toda forma (física, etérica, emocional, mental).
Tal qual um plano de carreira numa empresa onde temos: os funcionários, os diretores e o presidente, o Reino Elemental possui: os elementais, os Devas e os Elohins.



24 de ago. de 2011

Medida certa – Do cafezinho aos relacionamentos, o que faz algo especial?


"Medida certa - Do cafezinho aos relacionamentos, o que faz algo especial?"

Um ponto de partida na busca da compreensão a esse questionamento se encontra na própria ilustração do post, representada pela imagem do CORAÇÃO.

         E, partindo do “cafezinho”, percebemos que a medida certa que o faz especial vai muito alem da técnica culinária.

         Maria da Assunção, carinhosamente chamada por Susi, é autora do cafezinho mais delicioso que já degustei!!

         A receita da Susi, além da técnica e da atenção e cuidados aos pequenos detalhes como ela me contou, contém ingredientes fundamentais que tornam visível o seu coração - tão sutil como o da foto acima - e que fica estampado no seu semblante ao servir o café: sorriso sereno, franco e feliz! Contagiante!!!

         Quando o coração está leve, ele reverbera ao redor, a delicadeza das intenções, nos gestos e nas palavras que vão dando o toque especial que nos envolve para além do sabor, quando nos permitimos abrir a novas sensibilidades... sensibilidades também guiadas pelo nosso coração receptivo.

Susi é a pessoa mais próxima que faz parte do meu cotidiano e, como ela - quando focamos nossa atenção no bem e no belo do nosso trivial dia-a-dia - encontraremos uma infinidade de exemplos otimistas que nos libertam do estigma de São Tomé, que necessita “ver para crer”, nos convidando a mudar o foco da atenção que nos conduz a uma nova postura: “Crer para ver”, onde há que se ter “olhos para ver e ouvidos para ouvir” a suave melodia que brota do coração.

         E, adotando essa nova postura, no decorrer desse mês de agosto, guiada pelo olhar do coração, fui em busca da “Medida certa – do cafezinho aos relacionamentos, o que faz algo especial?”

         E, encontrei muitas respostas como:
        
- Uma oferta de afeto gratuito de um casal simpático num domingo de sol no Parque do Ibirapuera, anunciado por uma plaquinha “abraço grátis”, que nos faz perceber quão enrijecidos, reticentes e desconfiados vivemos!!!
E, confesso que apesar dessa percepção pessoal foi irresistível não me render ao sorriso terno e aos braços abertos daquele casal!

- Um vendedor de coco gelado que oferece espreguiçadeiras ao sol, aos seus clientes e, nesse cuidado atencioso com o outro, ao promover a sensação de bem-estar, nos permite a oportunidade de perceber o “bem-Ser”, como fonte de abastecimento desse bem-estar!!
Quando, então, compreendemos que o “permitir-se” simplesmente SER, traz a alegria do bem-ESTAR!!

Enfim, “e por aí vai”...

O desafio que o Espaço Matrix lança para essa semana é encontrar a medida certa, o caminho do meio: o Coração, que transforma o “ver para crer” em “Crer para Ver”.

Crer na humanidade e na divindade que reside em cada um como essência primordial, independentemente do que os invólucros e as situações materiais nos façam ver com os olhos físicos.

Isso não significa ignorar as situações, mas compreendê-las com o coração, trazendo à luz o motivo interior que nos toca ao desconforto de olhá-las.

E, assim, aos poucos, deixamos de alimentar os defeitos, pois que aprendemos a entender o seu propósito; passamos a alimentar as qualidades divinas inerentes a cada um e a todos nós!!! Onde fazer brotar o seu melhor, desperta o florescer do outro.

E, assim, finalizamos esse mês de agosto, mês de “muitos gostos”, buscando a boa medida, conciliando o Universo do Ser ao Estar!! Onde:

"O que transforma qualquer ato em algo extraordinário é o fato de fazermos aquilo com o coração e o que transforma qualquer vida numa existência extraordinária é o fato de ser vivida com amor."
Mark Sanborn

E, por falar em CORAÇÃO, como anda o seu? Enrijecido ou Receptivo às belezas em sua VIDA?

               Crédito da foto: carlossimo.artblog.com.br/95/

17 de ago. de 2011

“Retratos da Alma – o olhar do Observador”

“O Antes é a idéia que inspira ao Caminho Interior;
O Durante é o processo da concretização da idéia na conexão com o Caminho;
O Depois é a Confiança em Ser o Caminho na Segurança Divina;
O Agora é sempre Presente Divino”.
(Espaço Matrix – um espaço de convivência, uma pausa para Ser)

A foto acima, “materializa” o estado de SERENIDADE E LEVEZA, “visível à luz do Sol”, promovido pela “pausa para si” durante a Oficina “Retratos da Alma”, realizada no Espaço Matrix, na compreensão de que o vivenciar consciente de cada momento presente – o Agora – é uma prática não apenas possível, como fundamental para a concretização ou “materialização” dos nossos anseios interiores mais nobres.

O ato de fotografar, conscientemente, um “estado de ser harmonioso”, num momento específico, promovido pela vivência de integração com um meio ambiente natural - como fruto do exercício de interiorização - faz revelar o “invisível” que sustenta todo empreendimento no mundo da forma.

E, toda criação consciente, como comentamos em artigos anteriores, ancoradas no estado natural de harmonia e perfeição, provém desse exercício de plena atenção, de “presença de espírito”, quando nos sentimos centrados, integrados e plenos. E essa qualidade, fica impressa, em toda e qualquer obra que realizamos na face da Terra, nos fazendo crer que é possível tornar o mundo um lugar melhor para viver, para Ser.

Isso me faz recordar de um episódio vivido há alguns anos na presença de meu filho que, ainda pequeno, me acompanhava numa preleção.

Num determinado momento, o preletor, após relatar os inúmeros cenários da vida cotidiana de - miséria, corrupções, violências, insensatez, catástrofes naturais, do “micro” ao “macro” – nos questionou finalizando com a pergunta: “Diante de tantas evidências conclusivas de um mundo falido, quem acredita num mundo melhor?”

Evidentemente, a dúvida pairou no ar, diante daquela “realidade” retratada, onde poucos levantaram suas mãos - alguns ainda duvidosos, outros mais convictos.

Fiz parte daquela minoria, quando meu filho me questionou, aguardando uma resposta convincente de minha parte, antes de tomar a sua decisão: “Você acredita, mãe? Por quê?”

Foi uma oportunidade de aprendizado que me estava sendo oferecida por meu filho, a quem sou sempre grata, para que, naquele exato momento, eu buscasse a resposta dentro de mim com a convicção de minha alma e, não simplesmente, como um ‘acreditar superficial’, ‘da boca para fora’.

Tive uma fração de segundos para acessar esse “estado de consciência” pautada na honestidade e harmonia interiores que estabelecem a “segurança inabalável” para responder-lhe que: “Acredito, sim! Porque o que já aconteceu não há como mudar. Mas, eu posso -“agora”- fazer o meu melhor em cada gesto, pensamento, sentimento ou palavra, para tornar o mundo um lugar de paz e de amor. E, se cada pessoa enxergar essa oportunidade, uma nova realidade pode ser construída, sim.”

Sem hesitação, ele também levantou a sua mão.

E, em seguida, o preletor, reafirmou a minha resposta, inspirando a platéia à não se deixar conduzir pelas aparências externas, mas antes confiar no seu potencial de realização interior, ou seja, não ceder o seu poder às circunstâncias.

E, isso agora me remete a uma linda mensagem com a qual finalizo o presente artigo, na intenção de atuarmos como educadores conscientes, que aprendem com seus filhos, entregando-se à vulnerabilidade dos erros e acertos, ao mesmo tempo em que inspiram através de suas lentes interiores o “Retrato” de um mundo bom, belo e luminoso!

                                                                                        
 “Não ensine a seu filho que as estrelas não são maiores do que parecem ser: maiores do que a Terra.
São lâmpadas que os anjos acendem todos os dias, assim que o sol começa a escurecer...
Não diga a seu filho que as asas dos anjos só existem na imaginação.
Já vi meu anjo em sonho e posso jurar que ele tem asas claras que até parecem feitas de luz.
Não encha a cabeça de seu filho ensinando-lhe hipóteses precárias que amanhã de nada servirão.
Povoe de beleza o olhar inocente de seu filho.
Dê-lhe uma provisão de bondade que chegue para a marcha da vida.
Infunda-lhe na alma o amor de Deus – e tudo mais, por acréscimo, ele terá.”

Por Dom Helder Câmara – retirado do livro “Preces e Poemas” de Evelyn Zayden e Beth Campos
Callis Editora                       

  


10 de ago. de 2011

É tempo de Renascer para o novo! Onde estiver a sua consciência, ali você estará.

“A sua consciência é apenas um espelho.
Você nem vem, nem vai. As coisas vêm e vão;
Você se torna um jovem, você fica velho;
Você está vivo, você está morto.
Todas essas situações são apenas reflexos num lago eterno de consciência”.(*)

         No aprendizado contínuo que as relações humanas promovem, caminhamos a cada dia para um novo Renascer, um novo estado de ser, mais leve, mais fluido, mais livre... mais pleno de amor!

         Renascer para um novo estado de ser acontece quando nos abrimos para o caminho interior buscando realizar a síntese entre matéria e espírito; ciência e espiritualidade.

          No decorrer do processo evolutivo que todos vivenciamos como humanidade, muito já foi conquistado com o intuito de promover a ampliação de consciência que nos liberta de todas limitações equivocadamente apresentadas ao longo das idades e aceitas por cada um de nós como verdade inquestionável, mas que ora desponta como oportunidade a todos, sem privilégios, sem distinção, sem exceção.

Contudo, nessa experiência temporária que é a vida material, tudo é uma questão de escolha que se descortina em cada situação cotidiana. Onde, mesmo quando pensamos não ter escolha, já a fizemos.

O filme, “O diabo veste Prada”, retrata esse aspecto com muita leveza, fazendo uma dança sutil entre a evolução dos graus da consciência com a escolha que o livre-arbítrio permite.

         Esses estados ou estágios de consciência também são retratados por Friedrich Nietzche, em seu livro “Assim falou Zarathustra”, na figura do camelo, do leão e da criança, como os três níveis de consciência em que gradativamente galgamos, conforme a leitura que fazemos de nossas experiências de vida onde, “o que importa não é que fazemos, mas a maneira como fazemos”.

         Assim, o post dessa semana oferece a leitura do referido texto, retirado do livro “O Tarô Zen, de Osho”.
        
“O camelo é sonolento, entediado, satisfeito consigo mesmo. Vive iludido julgando-se o cume de uma montanha, mas na verdade, preocupa-se tanto com a opinião dos outros que quase não tem energia própria.
Emergindo do camelo, aparece o leão. Quando nos damos conta de que temos estado abrindo a mão da oportunidade de viver realmente a vida, passamos a dizer “não” às demandas dos outros. Nós nos apartamos da multidão, solitários e orgulhosos, rugindo a nossa verdade.
A coisa, porém, não acaba por aí. Finalmente, emerge a criança, nem submissa nem rebelde, mas inocente e espontânea, fiel ao seu próprio ser.

Qualquer que seja a posição em que você se encontre neste momento – sonolento e abatido, ou desafiador e rebelde – tenha consciência de que isso evoluirá para alguma coisa nova, se você permitir.
Este é um tempo de crescimento e mudança”. (*)

Finalizamos, com o convite para a semana:
Permita-se!

(*) O Tarô Zen, de Osho

3 de ago. de 2011

“Na produção do Bem” caminhamos, “sem medo de ser feliz”!!

Renovados pela pausa revigorante das férias de inverno, retornamos para o Serviço na “produção do bem”, “sem medo de ser feliz”!!!

Pois, todo talento, posto em atividade por intermédio do coração na produção do bem, não vê mais barreiras, uma vez que busca o aprimoramento constante no desafio em “discernir o limite entre a prudência e o medo de errar”, donde o medo de errar configura-se como um dos maiores empecilhos que “retarda a utilização do potencial que dispõe para realizar e servir”.

“O zelo é uma virtude, contudo, quando exacerbado, toma a feição de perfeccionismo... que muitas vezes, enterra talentos, a fim de cavar sulcos profundos...”(*)

Essa tênue percepção promove uma diferença incrível em nossas vidas e, conseqüentemente às pessoas sob o nosso círculo de influência, quando paramos para refletir, o quão claros e lúcidos aplicamos os limites do zelo em nossos relacionamentos, quer seja conosco ou nos nossos grupos de convívio - do familiar ao profissional.

Ou seja, até que ponto, o zelo que temos para conosco ou com os nossos mais próximos influencia o desenvolvimento saudável nos desafios pessoais?

Pois, o zelo, permeado pelas exigências do perfeccionismo sobre si mesmo e, conseqüentemente sobre o “outro”, bloqueia as ricas possibilidades da expansão dos talentos natos, quando se utiliza, mesmo sem perceber, do amedrontamento como arma de poder avassalador.
           
E o medo, como sabemos, imobiliza; não permite o processo de evolução e sim de estagnação, quando deixamos de agir de forma inovadora, pois que ainda estamos sob a influência do medo de errar, de ser julgado ou aceito. Assim, torna-se mais seguro garantirmos a “estabilidade” promovida pelas experiências anteriores, ainda que seja limitada ou até mesmo ilusória.

Porém, toda estabilidade alicerçada apenas no conhecido é ilusória, a partir do momento em que compreendemos que cada dia que desponta é uma nova experiência, uma nova possibilidade, “um mergulho em terreno inexplorável” onde “não haverá mapa a seguir, nenhum guia para acompanhar”, contudo, haverá escolhas a fazer. E, estaremos cientes de que “haverá milhões de riscos” onde “você poderá desviar-se, poderá perder-se, mas entenderá que esta é a única maneira de crescer”.(**)

O zelo excessivo gerado pelo medo, também acarreta a não-validação da nossa própria vida, apequenando-a e desmerecendo-a, quando o nosso real propósito é viver plenamente, estimulando e reverberando os nossos talentos na produção para o bem, capacitando-nos e ao próximo à liberdade e autonomia para a realização dos propósitos, ainda que não se apresentem de forma clara em nossas vidas. E quando isso acontece nos colocamos em aceitação reverente, consciente e ativa quanto às escolhas determinadas por nós e por cada um, respeitando as particularidades que cada escolha contém em seus contextos únicos e pessoais. 

Contudo, é necessário, que cada qual defina e assuma as suas próprias escolhas. E, vivenciando-as plenamente com seus sucessos e fracassos inerentes, colha seus próprios aprendizados.

Pois, tudo aquilo que está ou não, bem definido para nós mesmos, estende-se, em mesma proporção, ao nosso redor.

Assim, quando esse medo “não reconhecido e, portanto, não cuidado”, escondido nas entrelinhas do zelo excessivo (controle, perfeccionismo, entre outras formas), toma proporções maiores, para além dos nossos limites, perdemos as rédeas da situação e o disseminamos para as nossas esferas de relacionamento, na crença equivocada de estarmos assegurando proteção, especialmente aos nossos mais próximos e queridos, controlando situações para que o “outro” não corra riscos ou, sob uma outra ótica, não nos ponha em risco.
                          
É o “tiro que sai pela culatra” pois, ao invés de encorajarmos a autonomia alheia validando sua experiência passível de acertos, erros e desapontamentos, podamos as possibilidades do grande aprendizado intransferível que só diz respeito a cada um. Apequenamos também a vida do próximo na não-validação alimentada pelo nosso próprio medo egóico.

Então, num vislumbre de clareza, em algum momento de nossa caminhada, “nos damos conta”, nos aventuramos em ir além, entendendo que “aceitar o desafio do desconhecido é o único caminho para crescer”.(**)

Criamos disposição e coragem para novas descobertas, para uma nova forma de ser – com mais leveza, fluidez e alegria.  

Assim, em profunda gratidão às infinitas oportunidades que nos são oferecidas a cada escolha consciente, o Espaço Matrix - que tem como nota-chave promover relacionamentos harmoniosos, saudáveis e libertadores - retoma aos serviços, convidando-os a viverem suas próprias vidas, entre erros e acertos, abertos para uma nova forma de operar a vida, com prudência, mas “sem medo de ser feliz”!!

Lembrando que:

“Admiráveis são as pessoas que quando se assenhoreiam da prudência a utilizam para fazer uso correto e consciencioso dos talentos a ela confiados; mas não menos admiráveis são aqueles, que, ainda não possuindo discernimento o bastante para definir com zelo os melhores rumos a seguir, entregam-se ao trabalho com honestidade e confiança, utilizando o talento com retidão de consciência e convicção idealista em favor da edificação de círculos produtivos na expansão do bem para quantos puder”.(*)

E...

“Sempre que nos lançamos ao novo e desconhecido com o espírito confiante de uma criança, inocentes, abertos e vulneráveis, até mesmo as menores coisas da vida podem transformar-se nas maiores aventuras”. (**)

Eu Sou grato à Vida, à Luz e ao Amor.
Eu Sou sempre grato.

Reflexões baseadas em textos retirados do livro “Lição para o Auto-amor”(*) e “O Tarô Zen, de Osho” (**)


6 de jul. de 2011

Hibernação - espera serena e consciente

“A existência inteira espera pelo momento certo. Até as árvores sabem disso – qual é o momento de florescer, e o de deixar que as folhas caiam, e de se erguerem nuas ao céu. Também nessa nudez elas são belas, esperando pela nova folhagem com grande confiança de que as folhas velhas tenham caído, e de que as novas logo estarão chegando. E as folhas novas começarão a crescer. Nós nos esquecemos de como é esperar: queremos tudo com pressa. Trata-se de uma grande perda para a humanidade...” (*)

         A sabedoria da natureza nos ensina que há tempo para tudo e, se em nossa experiência de vida, pararmos apenas alguns instantes para refletirmos sobre isso, logo saberemos o quanto estamos aplicando dessa sabedoria inata, que também possuímos, mas que talvez, pouco acessemos em consciência plena.

         No inverno, as árvores se colocam num estado de repouso, de férias, apenas aguardando o momento certo para florescerem novamente, renascerem num novo ciclo de vida! Aguardam, silenciosas, serenas, reverentes...

         Então, voltemos ao nosso processo:

Por quantas estações já passamos e como as vivenciamos?

O Verão, com sua alegria, pura vitalidade em ação! Quando somos a realização do propósito em alegria e entusiasmo!
  O Outono com a sabedoria da renovação e do desapego na imagem das folhas que caem. Quando nos permitimos reciclar, desfazendo-nos em gratidão ao que nos serviu, abrindo espaço para novas possibilidades!
O Inverno com o recolhimento na percepção da pausa e do repouso inteligentes. Quando esperamos em serenidade e consciência o desenvolvimento do novo, como um processo de gestação.
A Primavera com a beleza do florescer em preparação para o renascimento através do fruto com novas sementes... processo sem fim! Quando colocamos todo o potencial gerado em atividade para povoar o mundo de beleza e cor!

         Mas, nem sempre esse processo é consciente e natural em nossa vida humana. E, isso se torna um paradoxo, se considerarmos que isso acontece exatamente conosco, ditos seres Humanos, capacitados com a inteligência e a liberdade que o livre-arbítrio permite.

Contudo, isso não é motivo para lamentações, penalizações ou frustrações.
Antes, um motivo de atitude!

Uma mensagem pessoal no MSN de um amigo de meu filho me chamou a atenção pela simplicidade objetiva. E, creio ser pertinente e, principalmente sugestivo:

“Quem quer, arruma um jeito; quem não quer, arruma uma desculpa”.

         Deixemos, pois, as desculpas de lado e, mesmo diante do corre-corre do dia-a-dia, das cobranças internas, das metas enlouquecedoras, “arrumemos um jeito”, um tempo para uma pausa para si.

         Desse modo, o Espaço Matrix entra em seu período de férias, entendendo a importância dessa “Época de repouso”, na compreensão de que “o corpo humano não pode atuar com toda sua potencialidade sem períodos frequentes de repouso”.

Onde, “Férias” podem ser entendidas como “a mudança da rotina cotidiana que ajuda a restaurar o corpo, a mente e a disposição das pessoas.”

Lembrando que essas Férias, no sentido de permitir-se uma pausa para si, não significam, necessariamente, sairmos em um roteiro turístico pelo mundo afora, mas até podemos fazê-lo, desde que entendamos o princípio do “estar consigo, onde quer que se encontre”, tão bem definido pelo ZAZEN:

ZAZEN “quer dizer apenas que, se você permanece na própria fonte, sem deslocar-se para parte alguma, uma força imensa se levanta, uma transformação de energia em Luz e Amor, em uma vida maior, em compaixão, em criatividade. Ela pode assumir formas variadas.
Primeiramente, porém, você tem que aprender como permanecer na fonte. Depois, então, a fonte decidirá onde está o seu potencial. Você pode relaxar na fonte, e ela o levará ao seu próprio potencial.(*)

Aprendendo a “estar consigo onde quer que se encontre”, poderemos sentir a leveza das férias em quaisquer situações e contextos em que nos encontrarmos, até mesmo nas situações mais desafiadoras de nosso cotidiano.

E, desse modo retornarmos de nossas férias concretas, modificando o nosso “modus operandi” para entrar no estado de férias eternas que o “contato consigo” promove!!!

Nos vemos em agosto, desejando um ótimo período de “hibernação consciente” para o retorno em verdadeiro desfrute da vida!

(*)O Taro Zen, de Osho

Créditos da foto: Autor(a) Penvmbra 
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